VPN, conheça o risco de usar este serviço no seu celular



A suspensão do aplicativo WhatsApp em todo o Brasil desde a meia-noite desta quinta-feira (17/12) tem feito diversos usuários recorrerem aaplicativos de VPN para conseguir driblar a proibição e continuar a se comunicar por meio do serviço.

A VPN (Virtual private network – rede virtual privada) é uma ferramenta que pemite o tráfego de dados por um caminho privativo na web. Na navegação comum, por exemplo, quando um endereço de site está com o início “https://”, em vez de “http://”, significa que esta é uma conexão segura, na qual se estabelce uma VPN entre o seu computador e o servidor do site que você está acessando. “Se alguém observar o fluxo de dados entre vocês de fora, não consegue pegar o que está sendo transmitido, porque tudo está criptografado”, explica o professor João Gondim, do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Brasília (UnB).


Uma VPN faz com que todo o seu tráfego na rede passe por um computador específico. Se esse computador não estiver no Brasil, seu Whatsapp vai funcionar e sua Netflix (serviço de streaming de conteúdo) vai ter acesso a conteúdos de outro país. No entanto, é necessário ter atenção.

Não são apenas os dados do Whatsapp que entram no fluxo da VPN. "Quando eu falo todo o tráfego, é todo o tráfego de rede mesmo. Inclui email, Facebook, aplicativos de bancos, etc", alerta Athos Ribeiro, do Centro de Competência em Software Livre (IME) da Universidade de São Paulo.

Segundo o professor Gondim, no caso do WhatsApp, a VPN estabelece a conexão do aplicativo por meio de portas que não são as usuais nos dias em que o serviço não está suspenso: “você chega ao servidor como que por um desvio", explica. O risco de utilizar a VPN é, segundo Gondim, o mesmo que se corre ao utilizar qualquer aplicativo: é necessário analisar todos os termos de uso, ver a que os seus dados estão sendo expostos e avaliar se vale a pena”, orienta.

Seu celular travou?

Alguns celulares podem ter desempenho prejudicado com o uso de uma VPN, devido à carga que esse serviço exige da máquina. “A gente pode dizer hoje que um smartphone é um computador pessoal de mão que eventualmente faz chamadas. Ele tem um poder computacional, mas não é muito forte, tem limitações. Independente da qualidade do app que foi baixado, ele acarreta uma demanda computacional mais pesada”, explica Gondim.

Para Athos Ribeiro, é necessário ter cuidado especialmente com os serviços de VPN que são oferecidos de forma gratuita: "O seu tráfego vai passar por essa VPN, e o dono pode vê-lo. Se a VPN é gratuita, que motivações a pessoa teria para fornecer a VPN para tantas pessoas, uma vez que manter uma VPN custa dinheiro?", questiona.

O uso de aplicativos de VPN pagos não dá, necessariamente, mais segurança aos usuários. A diferença entre eles e os gratuitos, segundo o professor João Gondim, é que pode haver uma solução caso algo de errado aconteça, por se tratar de uma relação de prestação de serviço. “Você tem uma chance de ter pra quem reclamar”, diz o professor, lembrando que independente do aplicativo, pago ou gratuito, é necessário ficar atento aos termos e condições de uso. “É necessário sempre olhar como é a configuração para acessar o serviço”, orienta.

Alternativa livre

O uso de software livre pode ser uma alternativa para este caso e, mesmo sem saber, muitos usuários migraram para esta opção: o serviço do aplicativo Telegram, que é parcialmente configurado com dados abertos, ganhou cerca de 1,5 milhões de novas contas desde a queda do Whatsapp no Brasil. Para Athos Ribeiro, O software livre deveria ser sempre a primeira opção "por questões éticas e por proporcionar transparência para o usuário".

No caso da VPN, no entanto, ainda é necessário ficar atento. "Mesmo que a solução seja 100% Software Livre, o dono da VPN vai controlar seu DNS (nomes dos domínios dos sites): por exemplo, talvez o site 'www.seubanco.com.br", que você sempre acessa, não seja de fato o site do seu banco, mas uma cópia feita para roubar sua senha", alerta. "Esse serviço precisa ser 100% confiável", lembra Athos.

Fonte: CenarioMT

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