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Kaspersky lança programa global de transparência para recuperar confiança



Inicialmente negada e depois minimizada, as acusações de que a Kaspersky trabalharia para o governo russo finalmente geraram reflexos na cultura da empresa de segurança. A companhia, que fabrica um dos softwares antivírus mais utilizados do mundo, anunciou a criação de uma iniciativa global de certificação, de forma a assegurar sua transparência e confiabilidade a novos usuários e eventuais clientes perdidos nos últimos meses.

As mudanças têm a ver com as recentes acusações, vindas do governo dos Estados Unidos, de que a Kaspersky seria um acessório do governo russo. Em meio às investigações relacionadas à influência do Kremlin na manipulação da opinião pública e no resultado das eleições presidenciais de 2016, o governo norte-americano aplicou um banimento em produtos da companhia em órgãos de segurança e de segurança nacional, instruindo outras agências e empresas do país a fazerem o mesmo.

Inicialmente, as alegações foram não apenas negadas, mas minimizadas pela empresa de segurança. Eugene Kaspersky, fundador da companhia que leva seu sobrenome, negou qualquer relação entre ela e o governo de Vladimir Putin, além de criticar duramente a administração de Donald Trump, afirmando que ela estaria trabalhando de forma a dividir em um dos momentos mais perigosos da história da cibersegurança, quando o ideal seria, na realidade, a união.

Agora, entretanto, ele decide dançar conforme a música. A companhia anunciou a contratação de agências externas para a realização de uma série de trabalhos de certificação, voltados a assegurar, de forma independente, que os produtos da Kaspersky são seguros. Suas práticas e códigos-fonte de produtos, por exemplo, serão alvo de análise por especialistas sem ligação com a empresa.

Além disso, a Kaspersky fará o mesmo com seus mecanismos de proteção, de forma a assegurar que suas ferramentas disponíveis na nuvem e sistemas de armazenamento de arquivos são seguros. Ainda, a empresa analisará parcerias e contratos realizados de forma a encontrar irregularidades que possam levar à desconfiança.

Os trabalhos começarão no primeiro trimestre de 2018, com os primeiros resultados sendo liberados no segundo semestre. A análise, entretanto, deve perdurar durante todo o ano, no que Eugene Kaspersky chamou de "um compromisso permanente com a transparência e responsabilidade".

Fonte: Canaltech

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